Capítulo XVII
Vidas que se Completam

“Fomos andando mesmo, City Paranóia é um ovo! A Brida, é lógico,
foi junto conosco, como uma cadelinha ensinadinha”

Leandro:
Fanta-uva, quero primeiro te mostrar uma coisa na garagem.
Mayra:
Ahn... tá bom.

“E lá fomos nós. Andamos até os fundos de sua
nada-enorme-casa e o portão da garagem se abriu automaticamente...”

“Assim que entrei, reparei em tudo
o que havia dentro da garagem..."

"Um
verdadeiro santuário... com coisas minhas! Desde canetas mordidas e babadas,
chicletes mascados por mim, colas de provas de Química impressas em papel
transparente, fios de cabelo violeta, várias fotos minhas tiradas por ele e
penduradas na parede, me pegando distraída no colégio, chegando em casa,
cantando nos shows ou andando por aí com minhas amigas. Ele sabia tudo sobre mim
muito antes de eu saber de sua existência!”

Mayra: Você é um maníaco! O que é
isso tudo?!?!
Leandro:
Ahn.... é só a minha coleção de coisas suas....

“Olhando mais atentamente, foi aí que vi AQUELAS
folhas arrancadas de meu caderno!”

Mayra:
Ahhhh! Então finalmente descobri, foi você! Porque você arrancou essas folhas do
meu caderno?

Leandro:
Porque eram coisas tristes demais escritas. Você não ia precisar mais delas...
então eu arranquei essas páginas tristes da sua vida para lhe dar somente
páginas felizes daquele momento em diante!

“O Leandro estendeu o braço e me deu um
embrulho.”

Mayra:
O que é isso?

Leandro:
Esse é o seu novo caderno. Quero que você escreva somente coisas boas e bonitas
nele. Escreva sobre nós! Sobre a Brida! Sobre tudo de bom que estamos passando,
fanta-uva!

Mayra:
Ahn... obrigada, Leandro! Com certeza só terei coisas lindas para escrever aqui,
pois agora minha vida está completa com você ao meu lado!

“Depois disso,
ficamos sentados no tapete de zebra cor violeta estendido no chão de sua garagem e fiquei reparando
em tudo o que havia lá dentro e pensando em quanto tempo ele demorou para ter
juntar aquilo
tudo. Coisas ali eu mal lembrava de ter tido, sequer perdido... outras não vejo
desde o primeiro ano no colegial!”

"Passamos um tempão jogando conversa fora, até que ele se
levanta e diz, meio louco"

Leandro: Preciso te mostrar uma coisa! Em meu quarto!
Venha!

"E lá fomos nós outra vez. Saímos da garagem, passamos pelo
jardim, entramos em sua casa e finalmente, em seu quarto"

Leandro: Venha aqui e abra este armário!

Mayra: Ok... e aí?

Leandro: Vê essas três caixas?

Mayra: Sim... o que tem elas?
Leandro:
São suas! São os presentes que eu estava guardando para te dar nos aniversários
que você comemorou, desde quando te vi pela primeira vez, aqui na rua, indo para
o colégio, em seu primeiro dia de aula no ensino médio, mas não pude estar ao seu lado. Já fazem 3 anos desde a primeira vez
que te vi, linda e sublime. Daquele dia em diante, minha vida não foi mais a
mesma. Passei dias e mais dias te observando, tirando fotos suas, indo a todos
os seus shows, te olhando na sala de aula... ai ai! E eu mal acredito que você
está aqui agora, parece um sonho! Hum... pode pegar pra você esses embrulhos. E,
ah, sim: parabéns!

“Ele me observava há três anos sem que eu ao
menos o notasse! E nós sempre estivemos tão próximos um do outro... não tive
escolha: comecei a chorar. Chorar loucamente!”

Leandro:
O que foi?!
“E eu não conseguia dizer uma palavra, as
lágrimas falavam por mim. Foi nessa hora que me dei conta de tudo de bom que
estava me acontecendo. Me arrependi de ter vivido sempre de cabeça baixa, me
lamentando sozinha, não olhar para os lados pelo menos uma vez, pois isso já
seria o suficiente para perceber que ele era o garoto perfeito que faria minha
vida tomar um novo rumo....”

“Os tempos se passaram, só que
com uma grande diferença. Desse dia em diante, as lágrimas que escorriam pelo
meu rosto não eram lágrimas de tristeza, e sim lágrimas de felicidade. Nunca
havia sentido nada assim em toda a minha vida e agora iria sentir pelo resto
dela.”

“Hoje, Dezembro do ano de 2007. Isso tudo
aconteceu há 9 anos. Sim, sim! Nós
não pegamos coisas velhas do Dexter para a Brida, isso só foi uma desculpa que o
Leandro arranjou para me arrastar para a casa dele e mostrar todo aquele
santuário pra mim! Depois disso, voltamos ao
centro da cidade e compramos algumas coisinhas (novas) para a Brida. Passamos o resto da
tarde arrumando tudo lá em casa. À noite, fomos para a festa da Talita... e depois disso,
só alegrias: comemoramos 1 semana de namoro, depois 1 mês, fomos para a
faculdade, terminamos o curso de Letras, fizemos nossa pós-graduação em
Literatura Paranoidiana e logo em seguida conseguimos comprar nosso primeiro
apartamento e nos casar oficialmente. Nós nos casamos há 3 anos já... como o tempo
voa!”

“A Brida e o Dexter estão aqui conosco, essa é a
nossa família. Linda e feliz, só que com uma integrante a mais: a Snow, filha da
Brida. Quando Brida teve seus filhotes, não resistimos ao charme único de Snow e
logo a adotamos. A Snow foi praticamente um presente de casamento dado pela
Brida, pois ela nasceu uma semana antes de subirmos ao altar. Nós
pretendemos fazê-la procriar o quanto antes! Já o Dexter, está bem velhinho... e cego.
Não pôde procriar devido a catarata, que os médico-veterinários diziam ser hereditária.
A Brida
também está velhinha, mas continua com o espírito de filhote de sempre e ainda é
a mãe protetora de sempre!”

“A Lis... bom, a última notícia que tive de Lis
foi há uns 3 anos atrás, alguns dias após nosso casamento. Naquela época, Lis
estava namorando
com aquela garota, filha do Zé Ninguém, que ela conheceu em um de nossos
shows. Ela se chama Ágata e parecia que elas estavam super bem uma com a outra.
O pai de Ágata morreu e elas viraram as locutoras
oficiais do Vozes do Subúrbio, que dava muita força pra galera que tá começando
agora. Tempos depois, fiquei sabendo que a rádio fechou e elas ficaram
desempregadas. Também fiquei sabendo que a Ágata prestou vestibular na
Universidade de City Paranoia, mas não seu no que deu. Nunca mais ouvi falar delas, e a Lis nunca mais me procurou,
mas lembro muito bem da última coisa que ela me disse, pelo telefone:"

Lis:
Eu ainda te amo muito, Mayra! Eu sei que vou te
amar até o fim dos meus dias...
“A nossa querida Isa Riot continua doida... só que
trabalhando como jornalista em um jornal que ela mesma abriu já que, segundo ela
mesma, não suporta receber ordens e seguir regras. Ela se formou ano passado, mas
antes mesmo de receber o diploma já havia se tornado uma das jornalistas mais polêmicas da mídia de City Paranoia...”

Isa:
Chega de chefe enchendo o meu saco e me obrigando a escrever coisas que não
quero! Meu jornal irá revolucionar a maneira de se fazer jornalismo! HAHAHAHAHA!!!!

“Agora ela mesma dita sua linha editorial,
baseada no slogan de “Compromisso com a verdade nua e crua. Doa a quem doer”. O
jornal – pasmem – ainda se chama Anarquia Já! e tem milhares - sim, MILHARES! - de assinantes. Ela
até ganhou o Prêmio Paranóico deste ano! A Fiona, é claro, é sua assessora, enquanto não
termina o curso de Psicologia com o qual sempre sonhou. As duas continuam
brigando muito, mas no fundo, se adoram. Dizem as más línguas (inclusive os
tablóides da cidade!) que Isa está saindo com um japonês que trabalha com ela,
mas ela nega tudo de pés juntos. E a Fiona me disse da última vez que nos falamos
que tem medo de
dizer para a Isa que está saindo com alguém da sala dela...”

Fiona:
Depois eu te ligo, ok querido? A chefe tá braba hoje...
beijos!

Isa: Com quem você estava falando, posso saber?!

Fiona: Ahn... ahn...

Isa: HÁ! A MESMA IDIOTA DE SEMPRE!! NÃO SEI PORQUE TE
CONTRATEI! SE EU DESCOBRIR QUE VOCÊ TAVA FALANDO COM ALGUM HOMEM NOJENTO E
ASQUEROSO, EU TE BOTO NO OLHO DA RUA AGORA, OUVIU?? VOCÊ TÁ CANSADA DE SABER QUE
HOMEM BOM É HOMEM MORTO, MAIS CEDO OU MAIS TARDE ELES VÃO TE MANDAR LAVAR AS
CUECAS DELE ENQUANTO PULAM DE CAMA EM CAMA POR AÍ! MAS COMO EU SEI QUE TU ÉS UMA
ENCALHADA DE UMA FIGA, ENTÃO NÃO PODIA ESTAR FALANDO COM NENHUM MACHO MESMO....

“Nossa banda nunca terminou oficialmente. Ela
ainda existe, mas faz muito tempo que não tocamos pela falta de tempo. Isa,
Fiona e Lis tocaram em nosso casamento... só que com a Lis nos vocais. Foi a
melhor performance de Déjà Vu de todos os tempos! A Lis cantou com o coração e
finalmente entendi uma parcela do que ela sente por mim: muita, mas muita
consideração, respeito e amor.”

"No entanto, Isa ainda insiste em arriscar uma carreira
musical e começou uma outra banda, com algumas garotas igualmente loucas que ela
conheceu na faculdade."

"A banda se chama Barbies de Coturno
e, desta vez - pasmem! - é Isa arrepiando nos vocais! E, por incrível que
pareça, elas estão fazendo tanto sucesso por aqui que já conseguiram dois discos
de ouro!"

“Nós não conseguimos um contrato com uma
gravadora, mas nossa música tocou algumas vezes no rádio, já que a Lis
passou a namorar a Ágata e tudo mais! E isso já vale o esforço de tantos anos!”

"Minha mãe continua a mesma, minha avó apareceu
em meu casamento e, desde então, aparece nos momentos mais... inoportunos, se é
que me entendem!”

“No momento estou finalizando de escrever a minha primeira
obra: Déjà Vu. É uma autobiografia. Quem quiser comprar, que aguarde pelo
lançamento oficial na livraria de City Paranoia!”

"Enfim... somos felizes! Juntos!”

F........

Isa: EPA! Perae! Mas não acaba por aí, não! Esse fim aí é clichê
demais! VOU VOMITAR!!!!!!

Isa: Não perca os últimos capítulos da série, O PLANO
FINAL!
Não perca o
próximo capítulo de Déjà Vu! \o/