Capítulo II
É POSSÍVEL!?

"Não, não..... será mesmo?!
Acho que minha mente está pregando peças em mim. Isso é
demais pra mim.
Eu estou passando mal, estou tonta!"

Mayra *cochichando*: Vovó... foi você, né?! Foi você que
aprontou comigo! PQP! Olha o que você inventa pra mim! Você é dose... você
sempre foi assim! Sempre foi uma mulher de palavra e sempre soube o que era melhor
para mim, e eu sempre adorei isso na senhora. Mas agora estou simplesmente
DETESTANDO! URGHHHHHHH! Você achou que eu ia achar que era papo de
velho louco esclerosado como você mesma me disse, mas eu acreditei quando você
me prometeu, ainda em vida.... um anjinho de cabelos loiros! Tudo bem, tudo bem,
você quis dizer anjo mesmo, ou anjinho em sentido figurado!? Você sabe que sou
péssima em interpretação! Não importa, só sei que eu tenho quase
certeza de que me deparei com
a sua "promessa" há algumas horas e parece que meio que... renasci! É, isso seria perfeito se não fosse pelo fato
dele ter... bem... DESAPARECIDO!
SUMIU! EVAPOROU! Se ele é, de fato, um amiguinho seu aí, dos céus, o que ele tá
fazendo aqui embaixo?! O
que você fez comigo?! Onde ele está?! Cadê!?! Que grande ajuda, hein!? Minha
vida acabou de novo, justo quando eu achava que ia conseguir alguma coisa, você
suga toda a minha felicidade. Thank you very much.

"É, eu estava brigando com a minha avó. Isso seria algo
normal se não fosse por um detalhe: ela está morta, esqueceu!? Apesar que isso é
bem normal pra mim... quero dizer, falar com a minha avó. Eu sempre vou ao
cemitério e conto tudo a ela, conto coisas que nem sonho em contar aos vivos. É
uma espécie de terapia, me faz tão bem que não consigo viver sem a minha avó.
Mesmo ela estando há sete palmos abaixo de mim, pra mim ela continua viva, aqui
dentro. Eu a sinto me ouvindo, toda atenciosa. Eu a sinto me tocar, me acariciar
os cabelos. Às vezes até penso que a ouvi chamando meu nome. Toda semana eu
estou lá, no cemitério falando com a minha avó. Só não estou agora pois estou no
colégio, duh!"
*Alguns minutos depois....*

Mayra: Aaaahhh, já entendi! Você me faz sofrer pra eu ir até
o seu túmulo, te levar flores e chorar pela sua falta. Ai, vó... sempre carente
e insegura, sempre pedindo atenção, implorando por um carinho! Agora vejo de
quem herdei toda a melancolia. Poxa vida, vó... a gente se fala quase todo dia,
eu vou te ver e cuidar da sua lápide todas as semanas. Eu nunca me separei de
você e nunca vou me separar. Pode ter certeza que sou sua neta mais fiel... nem
seus filhos fazem isso por você, parece que suas vidas vazias e fúteis são mais
importantes. Mas eu?! Eu ainda continuo aqui, faça chuva, faça sol, continuo pensando muito na
senhora. E você não tem noção do quanto eu sinto sua falta. Sinto tanto que até
dói quando lembro de tudo o que passamos..... errrrr, mas, enfim... como eu ia dizendo, eu já entendi seu joguinho e não vou
cair nele.
Eu sei muito bem que essa história toda de anjo caído dos céus é piração sua e
ele é um ser humano como eu e como você foi. Eu vou é continuar a procurá-lo! Dessa vez EU te peguei, sua velha boba!
"Deixei a briga pra lá. Segui meus instintos. Fui correndo em direção a um grupinho que estava
conversando no pátio."

Mayra: Olá! Por acaso, vocês conhecem um garoto de cabelo moicano,
loirinho...?

Garoto 1 (ruivo): Moicano, loiro... Ahhhhhhh! Acho que sei de quem está falando. Vimos
sim.
O seu primo está no terceiro ano, né?
Garoto 2 (loiro): É, é sim. Tá na mesma
sala da minha irmã, aliás.

Mayra: Ahn? Terceiro ano? Qual turma?

Garoto 2: Turma A.

Mayra: O QUE?! TURMA A?!?!?! Não, não...
não... não é possível...

"Fiquei pasma. Simplesmente sem palavras. Qual
não foi minha surpresa ao perceber de que éramos da mesma turma. O ano todo! Mas
isso era bem previsível, já que eu sou anti-social, e tudo mais. Enfim, é o preço que
se paga..."
Não perca o próximo
capítulo de Déjà Vu! \o/